Literatura
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Tratado das Cousas da China. De Frei Gaspar da Cruz
Luís Fardilha
Zulmira Santos
U.Porto Edições, 2019
Escrito por Frei Gaspar da Cruz OP (Évora, 1520 – Setúbal, 5 de fevereiro de 1570] e publicado em Évora por André de Burgos, o Tratado em que se contam muito por extenso as cousas da China com suas particularidades e assi do Reino d’Ormuz (1569-1570) é, tanto quanto hoje se sabe, o primeiro texto impresso integralmente dedicado ao “Celeste Império”. Produto do conhecimento e leitura de fontes anteriores, mas também da experiência do missionário dominicano, numa estadia de algumas semanas em Cantão, o texto descreve, com pormenor e fascínio, a organização de um país admirável pela “multidão de gente, em grandeza de reino, em excelência de polícia e governo, e em abundância de possessões e riquezas”, espelhando a curiosidade humanista pela diversidade de costumes e pelo “inventário” do mundo.
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E, contudo, elas movem-se!
Mulheres e ciência
Marinela Freitas
Ana Luísa Amaral
U.Porto Edições, 2019
Este é um pequeno livro com nomes, vida e poemas. Nomes de mulheres cientistas portuguesas, notas sobre a sua vida, imagens e palavras suas. E, a seu lado, palavras de poetas portugues@s contemporâne@s que as homenageiam ou homenageiam simplesmente o gesto mesmo de rebeldia que foi o de estas mulheres desafiarem e ultrapassarem os limites culturalmente associados ao seu sexo. Partindo da célebre exclamação que Galileu terá proferido perante o tribunal da Inquisição E pur, si muove!, pretende-se assim assinalar contributos das mulheres na área das Ciências, destacando o seu pioneirismo e sublinhando os obstáculos que elas tiveram de ultrapassar para serem admitidas e (re)conhecidas no contexto académico e/ou profissional, tradicionalmente dominado por uma lógica patriarcal.
In “Introdução”, Ana Luísa Amaral e Marinela Freitas
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Paráfrase e Concordância de Algumas Profecias de Bandarra, Sapateiro de Trancoso
João Carlos Gonçalves Serafim
U.Porto Edições, 2018
É nesta Paráfrase que, pela primeira vez, se faz uma edição ad hoc de trovas atribuídas ao famigerado sapateiro beirão. O processo inquisitorial em que se sentenciara o silêncio do poeta e a censura dos versos ocorrera já há 62 anos (1541). As trovas escolhidas e comentadas e as notícias, tantas vezes mitificadas, sobre o autor e o texto – as cópias profusas, as leituras generalizadas, os exemplares divergentes, as deturpações, os acrescentos, as manipulações... – fazem com que estejamos perante uma obra fundamental para o estudo do fenómeno bandárrico. João Carlos Serafim, no estudo introdutório, servindo-se de um conhecimento sólido sobre a vida e a obra de D. João Castro, aclara, por um lado, a relação destes textos com aquilo que se pode saber do enigmático prototexto e, por outro, a congeminência e as motivações que levaram a esta outra apropriação das trovas, – em Paris, no final de 1603, na “clandestinidade”... – ao serviço de um sebastianismo latente, ortodoxo, antifilipino com que o autor estava comprometido e que, por estes anos, centrava as suas expectativas no pretenso rei D. Sebastião, aparecido em Veneza no verão de 1598, a sofrer, então, as agruras da previdente justiça espanhola.
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Diálogos
Aurelio Vargas Díaz-Toledo
U.Porto Edições, 2017
Estudo e edição crítica dos três Diálogos escritos por Francisco de Moraes, mais conhecido por ter sido o autor do Palmeirim de Inglaterra (ca. 1544), a melhor novela de cavalarias do século XVI. O Diálogo entre um fidalgo e um escudeiro, o Diálogo entre um cavaleiro e um doutor, e, por último, o Diálogo em estilo jocoso entre uma regateira e um moço da estribeira, são dados à luz numa publicação que, pela primeira vez, tem em conta tanto a tradição manuscrita como a impressa. Aurelio Díaz-Toledo apresenta, para além de uma contextualização de cada um dos textos e da sua problemática, uma série de apêndices que ajuda o leitor a ter uma melhor compreensão daqueles, tais como um Glossário, uma Listagem de alusões históricas e uma Bibliografia atualizada.
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A Instituição da Literatura
Horizonte Teórico e Filosófico da Cultura Literária no Limiar da Modernidade
Jorge Bastos da Silva
U.Porto Edições, 2010
O presente estudo aborda as condições conceptuais de emergência do moderno discurso de legitimação da literatura enquanto campo cultural e institucional com prerrogativas de relativa autonomia. Debruçando-se sobre o caso inglês, que toma por pioneiro e exemplar, a obra examina o desenvolvimento de uma defesa da cultura literária que supõe o seu alto valor humano e que, desse modo, autoriza a apologia da experiência estética como componente formativa e vivencial indispensável ao indivíduo de qualidade superior.
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Retórica e Teatro
A Palavra em acção
Belmiro Fernandes Pereira (org.)
Marta Várzeas (org.)
U.Porto Edições, 2010
Reunindo colaborações de especialistas nacionais e estrangeiros, a presente obra relaciona retórica e teatro, procurando pôr em relevo as afinidades que fizeram destas artes, a partir de Aristóteles, um poderoso instrumento de reflexão sobre a comunicação humana e a criação literária. O volume está dividido em duas partes, de acordo com um critério cronológico: a primeira é dedicada à Antiguidade Greco-Latina, a segunda abarca o período que vai do Renascimento ao séc. XX. Em ambas, o tratamento de textos retóricos e metateatrais, bem como a análise e interpretação de monumentos muito significativos do nosso património literário desenvolvem-se numa perspectiva centrada na performance comunicacional e pretendem contribuir para o progresso desta área do conhecimento.
Inclui CD-ROM com peças musicais de compositores portugueses dos sécs. XVI e XVII, interpretadas pelo grupo vocal Ançã-ble.
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A Textualização da Viagem:
relato vs. narração. Uma abordagem enunciativa
Ana Martins
U.Porto Edições, 2010
Esta obra descreve a organização de textos de viagem, tomando a teorização sobre o tempo e aspecto como instrumento-chave na análise textual. Aqui se apura a distinção entre narrativa de viagem, que configura a realidade, num universo temporal autónomo face ao momento da enunciação, pelo encadeamento consequente de acções transicionais até uma culminação; e relato de viagem, que projecta uma sequencialidade não consecutiva de eventos, ligada ao momento da enunciação, em que o ver e o dizer são cumulativos.
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Symbolon 2
Inveja e Emulação
Faculdade de Letras da U. Porto (FLUP), 2010
Prossegue com o presente volume uma série de estudos sobre as emoções na literatura greco-latina, matéria que deu origem a ideias ético-retóricas sempre actuantes na cultura ocidental. Symbolon pretende ser um sinal de reconhecimento, de partilha de saberes, espaço de encontro do moderno com o antigo. Depois de amor e amizade, propomos agora como tema inveja e emulação. Outros volumes se seguirão sobre paz e concórdia, medo e esperança, honra e vergonha, ira e indignação, piedade e compaixão.
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Symbolon 1
Amor e Amizade
Belmiro Fernandes Pereira org.
Jorge Deserto org.
Faculdade de Letras da U. Porto (FLUP), 2010
Inaugura-se com a presente publicação uma série de estudos sobre as emoções na literatura Greco-Latina, matéria que deu origem a ideias ético-retóricas sempre actuantes na cultura ocidental. Symbolon pretende ser sinal de reconhecimento, partilha de saberes, espaço de encontro do moderno com o antigo. A este volume dedicado ao tema Amor e Amizade nas literaturas clássicas outros se seguirão sobre: Inveja e Emulação, Paz e Concórdia, Medo e Esperança, Honra e Vergonha, Ira e Indignação, Piedade e Compaixão









